Sexta-feira, 9 de Março de 2007

Num programa de rádio...

 

      Não faz muito tempo, deparei-me com um programa de rádio, numa qualquer estação portuguesa, onde se debatia a definição de Filosofia e, consequentemente, a sua utilidade no quotidiano do comum português.

      Qual não foi o meu espanto, quando ouço uma ouvinte e participante no debate dizer que “ah, em tempos, na adolescência, tipo, quando andava no 12º, filosofava, agora já não…!” ou, outro, “a Filosofia é uma disciplina do Ensino Secundário e nunca percebi muito bem para que servia?!” ou, ainda, “não preciso da Filosofia…”  Outros depoimentos na mesma linha se seguiram.

      A minha perplexidade perante tamanha desinformação suscitou em mim a necessidade de esclarecer algumas dúvidas relativas à Filosofia. A Filosofia não é apenas uma disciplina do Ensino Secundário, onde é possível dar a conhecer perspectivas de diferentes autores; a Filosofia vai muito além disso!...

      Fiquem, no entanto, a saber que não é fácil apresentar uma definição de Filosofia, até porque nesta não há unanimidade. Assim, qualquer tentativa de definição será sempre incompleta e passível de contestação.

      Não obstante, decidi correr o risco e postar a minha perspectiva, partilhando-a, assim, com todos os interessados.

     

      Mas, antes, urge a necessidade de colocar uma primeira questão: Filosofia, necessária ou supérflua? Se a Filosofia não serve para nada, não há necessidade dela! E, se não é útil, por que não nos contentamos em viver e evitar o filosofar?

     Quem ousar provar que a Filosofia não serve para nada, que não necessitamos dela, ver-se-á obrigado a curvar-se a ela, pois, para negar a sua necessidade, terá, obrigatoriamente, que Filosofar.

 

Liliana Guerra

Publicado por Liliana Guerra meras-reflexoes às 07:39
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O Que a Filosofia É

          A questão juvenil mais comum e “irritante” de todas é: “Porquê?” Esta é a questão básica da Filosofia.

            A Filosofia é Filosofar; é o pensamento humano em acção. A Filosofia nasce e faz-se com as perguntas dos homens; ou seja, a atitude filosófica decorre da própria praxis quotidiana, nasce da tomada de consciência da dualidade “eu-mundo”, bem como dos problemas que lhe são inerentes.

            A Filosofia parece desconcertantemente difícil, pois trata de questionar e fazer desmoronar dogmas. É, pois, enquanto praxis fundada na inteligibilidade e liberdade da razão, uma actividade crítica que se situa na continuidade da prática de determinado campo de investigação intelectual; é como que o lugar de encontro de saberes e experiências, bem como da sua reflexão crítica.

            Convém frisar que a Filosofia não é um assunto a estudar, mas antes uma actividade a realizar. Na mais elementar manifestação de actividade cerebral do homem, se encontra já uma reflexão espontânea sobre a vida natural e social, uma relação do homem com o que o rodeia. As interrogações e as consequentes reflexões acompanham-nos, sem que isso implique, necessariamente, que uma resposta seja encontrada.

Podemos dizer que a Filosofia é o pensar sobre o pensamento; a actividade cujas competências incidem, essencialmente, mas não exclusivamente, na problematização, na conceptualização e na argumentação, pois consiste num saber fazer racional e crítico.

            Assim sendo, a dinâmica de interrogação-problematização sobre o real, enquanto condição indispensável de adaptação activa do sujeito à realidade, decorre da necessidade deste se adaptar às situações concretas e de se abrir a novas possibilidades permitindo-lhe um alargamento progressivo do seu conhecimento que, por sua vez, dirigirá a sua acção.

 

Posto isto, a Filosofia, ao contrário do que alguns afirmam, não é uma contemplação desinteressada do real, nem desinserida da prática social, nascida da passividade e do desinteresse, pois, o que se comprova é, isso sim, um interesse emancipador do homem face ao mundo real; aliás, o interesse da Filosofia, do “amor à sabedoria”, reside na emancipação do homem, ante o mundo natural e real.

 

                                                                                                          Liliana Guerra

Publicado por Liliana Guerra meras-reflexoes às 07:21
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